
19 e 20 de Junho de 2015
Sobre o Cuidado Paliativo | Importância da temática

(Borboleta e Girassol, símbolos
do Cuidado Paliativo)
O que é o Cuidado Paliativo?
O alívio do sofrimento, a compaixão pelo doente e seus familiares, o controle impecável dos sintomas e da dor, a busca pela autonomia e pela manutenção de uma vida ativa enquanto ela durar: esses são alguns dos princípios do Cuidado Paliativo que, finalmente, começam a ser reconhecidos em todas as esferas da sociedade brasileira.
O Cuidado Paliativo foi redefinido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2002, como uma abordagem ou tratamento que melhora a qualidade de vida de pacientes e familiares diante de doenças que ameacem a continuidade da vida. Para tanto, é necessário avaliar e controlar de forma impecável não somente a dor, mas, todos os sintomas de natureza física, social, emocional e espiritual.
A OMS desenhou um modelo de intervenção em Cuidado Paliativo onde as ações paliativas têm início já no momento do diagnóstico de uma doença crônica com potencial de letalidade e o cuidado prestado se desenvolve de forma conjunta com as terapêuticas capazes de modificar o curso da doença. A paliação ganha expressão e importância para o doente à medida que o tratamento modificador da doença (em busca da cura) perde sua efetividade. Na fase final da vida, o Cuidado Paliativo é imperioso e perdura no período do luto, de forma individualizada aos familiares/entes queridos.
Importância da temática
Em janeiro de 2014, a publicação intitulada “Global Atlas of Palliative Care at the End of Life”, organizada pela OMS juntamente com a Worldwide Palliative Care Alliance (WPCA), chama a atenção para a necessidade global de Cuidado Paliativo. O documento traz alguns dados importantes, tais como:
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acima de 40 milhões de pacientes anualmente necessitam de Cuidado Paliativo ao redor do mundo, incluindo 20 milhões de pacientes no fim da vida;
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80% das pessoas no mundo não tem acesso ao tratamento de dor moderada a severa;
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menos que 10% dos pacientes que necessitam de Cuidado Paliativo tem acesso a esta modalidade de cuidado;
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apenas 20 países (8% do total de países do mundo) têm o Cuidado Paliativo integrado no seu sistema de saúde;
No Brasil, as atividades relacionadas a Cuidados Paliativos ainda precisam ser regularizadas na forma de lei. Ainda imperam no Brasil um enorme desconhecimento e muito preconceito relacionado aos Cuidados Paliativos, principalmente entre osprofissionais de saúde, principalmente médicos, gestores hospitalares e poder judiciário. Ainda se confunde atendimento paliativo com eutanásia e há um enorme preconceito com relação ao uso de opióides, como a morfina, para o alívio da dor.
Ainda são poucos os serviços de Cuidados Paliativos no Brasil. Menor ainda é o número daqueles que oferecem atenção baseada em critérios científicos e de qualidade. A grande maioria dos serviços ainda requer a implantação de modelos padronizados de atendimento que garantam a eficácia e a qualidade.
Há uma lacuna na formação de médicos e profissionais de saúde em Cuidados Paliativos, essencial para o atendimento adequado, devido ao pequenos número de residências médicas em Medicina Paliativa (iniciadas a partir de 2013) e a pouca oferta de cursos de especialização e de pós-graduação de qualidade. Ainda hoje, no Brasil, os cursos graduação não ensinam aos futuros profissionais da saúde como lidar com o paciente com doença em fase terminal, como reconhecer/abordar os sinais/sintomas apresentados pelos pacientes e como administrar esta situação de maneira humanizada e ativa.
A conscientização da população brasileira sobre os Cuidados Paliativos é essencial para que o sistema de saúde brasileiro mude sua abordagem aos pacientes portadores de doenças crônicas que ameaçam a continuidade de suas vidas.
Cuidado Paliativo é uma necessidade de saúde pública, é uma necessidade humanitária!
Fonte: Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP) /
Global Atlas of Palliative Care at the End of Life (WHO/WPCA)